Quando falo em ser uma “florzinha de Jesus”, não estou propondo que alguém se torne algo que ainda não é. Todo ser humano já é uma florzinha de Jesus. A questão não é conquistar essa condição, mas reconhecê-la e fundar a própria vida nela. Essa imagem tenta nomear a dignidade ontológica fundamental de cada pessoa: uma dignidade anterior e superior a qualquer performance de força, beleza, virtude ou sucesso. Antes de qualquer coisa que façamos, somos desejados, criados e amados por Deus.
Quero começar corrigindo o próprio título: não se trata exatamente de tornar-se uma florzinha de Jesus. Tornar-se pode ser um caminho espiritual, mas o ponto de partida é ontológico. Nós já somos. Para as mulheres, essa imagem pode ser um convite a descansar da obsessão com beleza, magreza e performance social. Para os homens, pode ser um convite a aceitar a vulnerabilidade e a mediação, em vez de buscar uma hiperperformance de força que, levada ao extremo, conduz à tragédia.
A encíclica Magnifica Humanitas, em seu §52, distingue quatro sentidos de dignidade: moral, social, existencial e ontológica. Esta última é a mais profunda. É a dignidade que pertence a cada ser humano simplesmente porque foi desejado, criado e amado por Deus. Nenhum pecado, fracasso ou exclusão pode destruir essa dignidade.
Para as mulheres, a imagem da florzinha de Jesus pode ser potencialmente dissolutiva. A natureza feminina caída já tende à dissolução, à incapacidade de exercer mediação e à submissão cega que leva a mulher a se perder em si mesma. Por isso, é preciso haver consciência de um centro de gravidade interior, de uma semente no coração a partir da qual tudo desabrocha. Sem esse centro, ser florzinha de Jesus vira apenas mais uma performance. E a performance é exatamente o oposto do que essa imagem pretende comunicar.
Para os homens, o convite é menos arriscado porque caminha na direção contrária à hiperperformance de força. O orgulho masculino parece ter apenas dois destinos na lógica grega: tornar-se semideus ou sucumbir. A florzinha de Jesus abre um terceiro caminho: aceitar que ninguém se faz sozinho, que a própria força possui um princípio e um fim que não controlamos. Esse caminho passa necessariamente pela mediação.
Todos nós já somos florzinhas de Jesus. A questão é reconhecer isso e não transformar esse reconhecimento em mais uma performance. Para as mulheres, o caminho passa por encontrar o centro, e não por se dissolver. Para os homens, passa por aceitar a mediação. Para todos nós, começa por perceber que existe redenção para a angústia, o medo e a insuficiência que carregamos em alguma medida.
Crédito: https://inescarrieres.substack.com/p/redeconvivial-014-como-tornar-se
Encíclica: Magnifica Humanitas - Leão XIV, §52
Referência: https://instagram.com/olabocos/
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Resumo feito por IA
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